2 de nov de 2017

PROGRAMAÇÃO DE NOVEMBRO

Dia 1 - reunião aberta da Diretoria

Dia 12- Feira da Cruz Vermelha
No 206 da Mem de Sá - Recuo da Bateria:
Bebidas, comidas e conspiração.

Dia 14 - Reunião aberta da Diretoria.

Dia 24 - 40 anos do lançamento do primeiro
livro no IPCN, com a presença da poeta
Amélia Alves

EDITAL IPCN

Declaramos aberto o Edital de uso imediato
do IPCN -Um Território a ser povoado.
Oferecemos espaço com estrutura de,
telefone, internet, computadores completos,
Wi Fi...., tudo a preço de custo para pessoas
e instituições com projetos sustentáveis e
compatíveis com nossos objetivos.
Enviar propostas para o e mail
ipcn.recuperacao@gmail.com
Ou entregar pessoalmente a Fabiano
na Avenida Rio Branco 257/606 Cinelândia
das 15 às 17 horas, dia útil.
Dúvidas: Antonio Carlos 993 162 950
Laércio 988 553 526. José Carlos Félix
999 226 774. Mauro Vianna 986 484 736.

20 de out de 2017

FIM DE UMA GRANDE ETAPA

Custou mas finalmente conseguimos concluir o compromisso de Recuperação do IPCN!

Foram anos difíceis com toda a sorte de atividades, Encontramos a instituição, literalmente, em ruínas: Sede com risco de desabamentos e sem funcionar por mais de uma década, mas aos poucos os que se propuseram  a essa tarefa, restaram forças e dedicação suficiente para concluí-la, com apoio inclusive dos mais inesperados. O mesmo, infelizmente não podemos dizer daqueles que, de certa forma, foram até mesmo ansiados.

Era uma dor muito grande ver naquela situação, uma Instituição que ultrapassara o século XX com iniciativas de suma importância para a construção de uma nova sociedade brasileira a partir do século XXI.

Foi ALI que começaram as primeiras atividades que transformaram o racismo hoje em crime hediondo e, foram discutidas questões que influíram a Constituição de 1988 a se despir de sua capa européia e reconhecer a rica diversidade de nosso País, reconhecendo as comunidades quilombolas como parte construtora da Nação em muito de seus aspectos, oficializando os seus territórios, assim como já era feito com os indígenas e propondo políticas públicas para o seu desenvolvimento há séculos negado.

Foi ALI que surgiram os embriões dos Conselhos de Promoção da Igualdade Racial, hoje presente em vários estados e municípios brasileiros, tão quanto, a instituição do dia 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra, passo importante para a recuperação da auto-estima de uma imensa população que nem mais se reconhecia, alavancando dessa forma as reivindicações de outras tantas categorias de oprimidos. Daí, a dor pela ausência dos tão ansiados nessa caminhada prestes a se encerrar.

Foi ALI que praticamente foi criada a Fundação Cultural Palmares, responsável em âmbito nacional pela preservação de desenvolvimento da Cultura Negra, parte significativa da formação brasileira: na culinária, na dança, nas artes, na música e tantas outras influências, de não menos importância, inclusive no humanismo.

É assim que ao encerrar essa tarefa batemos no peito  com orgulho, sabedores de que o IPCN está pronto novamente para promover o encontro entre povos e culturas e, contribuir cada vez mais para um Brasil melhor. A era da recuperação passou. Nesse ano de 2017, ALI, conseguimos realizar as comemorações dos 40 anos da compra da SEDE, em 21 de março de 1977; realizar uma TREZENA em maio em conjunto com várias Instituições do Rio de Janeiro que duraram 13 horas por dia durante treze dias sobre os mais variados temas. E, fechando o ano realizamos uma grande festa para as crianças, tendo como convidados especiais os alunos da Escola Municipal Senador Corrêa, com farta distribuição de lanches, brindes e vasta programação infantil.

Por isso o www.recuperacaodoipcn.blogspot.com, aos poucos deixará a cena.A  era agora será de realizações, com a abertura de um edital para cessão do espaço a pessoas e instituições que procuram um local para desenvolvimento de suas atividades. Vem aí o IPCN REALIZAÇÕES, tanto na página quanto no e-mail.
É isso aí. Vida que segue!
              Rio de Janeiro, 19 de outubro de 2017
                                                        Diretoria Colegiada do IPCN                                                 
Avenida Mem de Sá 208 – Lapa/RJ
Bradesco 237 Agência 6752 C/C 9308-4
CNPJ  042.598.227/0001-20


27 de set de 2017

PROGRAMAÇÃO OUT/2017

Com o adiantamento das obras de recuperação da Sede, a partir de outubro, aos poucos, começaremos a recuperação de nossa programação.

- 4 de outubro às 18:00 horas - Reunião da Diretoria

- 12 outubro das 11 às 17 horas - Reedição da Festa das Crianças

- 18 de outubro às 18:00 horas - Reunião de Diretoria

- 27 de outubro a partir das 19 horas - Botequim da Descolonização

12 de mai de 2017

PROGRAMAÇÃO DE MAIO

13 dias/horas Território&Identidade das 09 às 22 horas

13/05 (Sábado)
- Abertura: IPCN
- Homenagem a Lima Barreto: IPDH & Renascença Clube
- Oferenda à população de rua: IPCN
14/05 (Domingo)
- Atividade de rua: Instituto BLACK BOM
15/05 (Segunda-feira)
- Exposições: JANUFOTOS, CAPA (Casa do Artista Afro) e IPEAFRO
16/05 (Terça-feira)
- Território Histórico: MOVIMENTO REPARAÇÃO
17/05 (Quarta-feira)
- Territorialidade e a presença do Negro na Região Portuária: IPN
18/05 (Quinta-feira)
- Programação variada: CIA DAS PRETAS
19/05 (Sexta-feira)
- Programação institucional: Renascença Clube (exibição do filme SELMA com debate.
20/05 (Sábado)
- Seminário Mulherismo Africano: CIA DAS PRETAS
21/05 (Domingo)
- Côco, Jongo, Capoeira e atividades com crianças: PROJETO CABOCLINHAS
- Cultura do Norte de Minas: show do cantor e compositor Téo Azevedo.
22/05 (Segunda-feira)
- “África Oeste: Ocupações Árabes Islâmicas e Católicas Européias”: Kaabunke
- Documentário NÓS SOMOS ANGOLANOS: STP
23/05 (Terça-feira)
- Direito e Justiça: MOVIMENTO REPARAÇÃO
24/05 (Quarta-feira)
- Programação diversa: PRÍNCIPES NEGROS CULTURAL
25/05 (Quinta-feira)
- Dia da áfrica: Consulado de Angola.

6 de mar de 2017

40 Anos da Sede Própria


Quarenta anos da compra da Sede Própria do IPCN


Início dos anos setenta. A seleção brasileira de futebol conquistara o tricampeonato mundial com um elenco repleto de atletas negros, o modelo vitorioso do bicampeonato de 58/62, fora contestado em 1966, resultando num grande fracasso e decidira por uma convocação mais representativa da diversidade racial brasileira com um retumbante sucesso – éramos novamente os melhores do mundo.

Isso era no mundo do futebol, mas a realidade nacional era muito diferente. Ser os principais destaques num campeonato mundial de seleções, não tinha correspondência na vida prática do negro brasileiro. Anúncios de empregos, por mais simples que fossem, estampavam sempre a exigência de boa aparência, - um quesito intransponível para a maioria da nossa população, com qualquer grau de instrução, ainda mais agravado pela pirâmide invertida em relação á sociedade como um todo: Uma minoria com primeiro grau completo, poucos chegando ao segundo grau e, pouquíssimos, conseguindo concluir o nível superior.

Nesse quadro, a insatisfação com as limitações que lhes eram impostas pela conjuntura levou a juventude negra a se reunir em várias partes do Rio de Janeiro, contestando principalmente o mito da democracia racial, quando ao negro só restavam disponíveis as atividades mais subalternas, ainda assim, com várias restrições. Anúncios para empregos, mesmo os mais simples, viam sempre com a exigência de boa aparência. Foi de um desses grupos que surgiu o IPCN - Instituto de Pesquisa das culturas Negras, obrigado por questões políticas a deixar a clandestinidade em 9 de julho de 1975, constituindo-se numa entidade formal, com registro do cadastro de pessoas jurídica. De perambulação em perambulação por vários endereços, inclusive nas residências de seus participantes, faltava a conquista de um território próprio.

A oportunidade surgiu através de um suporte financeiro da Fundação Interamericana, do Partido Democrata dos Estados Unidos por intermediação de Jimmy Lee, um atleta de basquete entre outros que faziam uma temporada nos times do Rio de Janeiro A ideia inicial era a aquisição de uma sala comercial no centro da cidade onde as lideranças poderiam se reunir e traçar as estratégias da luta. A ideia não agradava a todos pois sabíamos dos constrangimentos que vínhamos sofrendo nesses ambientes. Foi então que Pedro Sérgio, um dirigente ligado a Sergio Dourado uma das maiores empreiteiras da época e com vasto conhecimento no ramo, apresentou a proposta de se procurar um imóvel numa área degradada próximo à Cruz Vermelha, onde sabia havia proposta para uma futura estação do recém iniciado Metro. Foi assim que chegamos à Mem de Sá 208, um espaço exclusivo, muitas vezes mais amplo que a ideia original, concretizando a compra desse imóvel no dia 21 de março de 1977.

A sede própria, aberta à todos os seguimentos, alavancou nossa luta por mais de uma década, com destaque para discussão da Constituição de 1988, a primeira a incluir em seu texto itens que derivaram em leis específicos para a população negra.

Após uma decadência profunda, talvez por mais de dez anos, vários grupos vem sendo formados com insucesso para manter a Sede Própria do IPCN em funcionamento. O pior já passou, pois após o risco de desmoronamento, intervenções pontuais já permitem o seu uso por grupos interessados a dar continuidade a essa luta. Além do que abriga o acervo apreendido pela polícia do Distrito Federal dos objetos de culto das religiões afro-brasileiras na metade do século passado.

Assim é que foi aberta uma conta corrente de número 9308-4, no Banco Bradesco 237, Agência 6752, Cinelândia, não só com o objetivo de não deixar o imóvel voltar ao fundo do poço que chegou no passado, mas quem sabe, voltar no futuro a ser abrigo das formulações de novas gerações para mais avanços de nosso povo.


RGI